Desastres ambientais causados pelo petróleo

O petróleo causa diversos desastres ambientais durante sua extração e seu transporte. Trataremos aqui das medidas cabíveis para minimizar esses desastres e quais medidas governamentais e industriais estão sendo tomadas para prevenir ou minimizar essa questão no futuro. Entre essas medidas devemos destacar a substituição do petróleo por fontes de energia limpa como o hidrogênio ou combustíveis biodegradáveis, que não prejudicam tanto o meio-ambiente.

HISTÓRICO DOS DESASTRES

Desde a descoberta do petróleo e do transporte desse material pelo mundo através de grandes navios petroleiros, acidentes passaram a ser parte integrante deste ciclo. Quando surgiram as novas tecnologias que propiciaram a extração do petróleo do fundo oceânico, acidentes durante a extração passaram a fazer parte do ciclo. Todos esses acidentes com o petróleo viram grandes desastres ecológicos, pois a sua composição oleosa não se mistura com a água, não é biodegradável e pode causar problemas durante décadas já comprovadas.

Destacam-se dois grandes desastres na história. O primeiro foi o vazamento do petroleiro Exxon Valdez em 1989 próximo a costa do Alasca, que devastou milhares de quilômetros de costa derramando 40 milhões de litros de petróleo bruto onde havia vida selvagem, matando animais, destruindo a mata nativa e prejudicando a pesca e economia local. Até hoje a empresa responsável ainda não pagou a multa estipulada e nem assumiu o compromisso da limpeza dos locais atingidos. Grupos não governamentais como o Greenpeace e cientistas dizem que a área não se recuperou completamente mesmo passadas mais de duas décadas. O segundo grande evento e o maior de toda a história foi o acidente em 2010 da plataforma americana “Deepwater Horizon” no Golfo do México, que deixou vazar 5 mil barris de petróleo por dia (equivalentes a 800 mil litros) num total de mais de 5 milhões de barris ou 20 navios, atingindo boa parte da costa da Luisiana, causando os mesmos problemas gerados no Alasca.

MEDIDAS PARA MINIMIZAR O IMPACTO AMBIENTAL

Além desses temos tantos outros tristes eventos com petroleiros e plataformas, porém esses dois exemplos citados acima causaram grande impacto na política e na comunidade junto a outros eventos ligados a poluição. A norma ISO 14 000, sobre gestão ambiental, foi criada no início da década de 90 e a partir dela leis foram criadas para regulamentar atividades e multar irregularidades. Grandes avanços científicos e pesquisas foram patrocinados para as empresas se adequarem as novas leis além de incrementar seus lucros.

Em 2003 houve o “Pacto Global”, uma iniciativa da ONU que tem como “objetivo mobilizar a comunidade empresarial internacional para a adoção, em suas práticas de negócios, de valores fundamentais e internacionalmente aceitos nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção refletido em 10 princípios” (trecho retirado de www.pactoglobal.org.br). Em 2010 após o acidente no Golfo do México a União Européia e a Agência Européia de Segurança Marítima criou uma resolução para o desenvolvimento de um plano europeu de preservação de acidentes marinhos.

Diante do Pacto Global a Petrobrás diminuiu as emissões de CO2 em 18 milhões de toneladas entre 2006 e 2011. Também aperfeiçoou um novo processo chamado Hbio que diminui as emissões de CO2 acrescentando biodiesel ao diesel comum em percentuais como 5%, chamado H5 até o H100, que seria 100% de biodiesel. O H5 já está sendo amplamente utilizado em maquinários com motor a diesel, tratores e até caminhões, pois nesse percentual o desempenho dos motores existentes hoje continua inalterado e ainda assim diminuindo as emissões de CO2. Com os avanços da indústria automotiva logo veículos a diesel poderão usar de H5 a H100 sem perder desempenho e diminuindo drasticamente as emissões.

Além de pesquisas científicas, leis que apóiam as normas de gestão ambiental e avanços na indústria petrolífera, outros profissionais de outros setores também incentivam que a população mundial exija que as empresas tenham mais consciência ambiental. Como o boicote a Shell após o desastre do Deepwater Horizon, que acelerou o processo de limpeza e multa para que a empresa não sujasse a sua reputação e não perdesse vendas. Em contrapartida as empresas ganham muito com essas medidas, como reduções dos custos de produção, menores riscos de infração e multas milionárias e ainda ganham uma boa imagem.

O economista ecológico renomado e professor no Desenvolvimento Comunitário e Faculdade de Economia Aplicada da Universidade de Vermont Joshua Farley, membro do Instituto Gund para Economia Ecológica da Universidade de Vermont publicou em artigo ao the New York Times “a Economia precisa respeitar a capacidade de suporte dos ecossistemas. Quando se chega ao limite é melhor pensar em políticas ecológicas em vez de políticas econômicas”. Isso ajudou a mudar o foco das empresas. Outro economista, Robert Constanza, diretor do Instituto de Soluções Sustentáveis (ISS) da Universidade de Portland foi o primeiro economista a atribuir valor a biodiversidade.

Graças a fatores já citados como as normas ISO 14 000, leis ambientais, comunidades locais e a mídia mundial, estão todos correndo atrás de contribuições para o meio ambiente. A Petrobrás criou um fórum mundial para discutir as emissões de CO2 e também patrocina o Projeto Tamar, que já completou 30 anos de ações, que visa inverter o quadro de extinção das tartarugas marinhas da nossa costa e tem conseguido com muito sucesso. Implementou o Projeto Biomapas, na Floresta Amazônica e na costa marinha brasileira. Esse projeto visa o mapeamento de seres vivos e vegetação nas áreas ocupadas pela Petrobrás. Na floresta Amazônica, em toda a extensão dos oleodutos e gasodutos, onde foi necessário desmatar para instalar os dutos a Petrobrás registrou cada planta nativa e cada criatura, implementou um reflorestamento após o término das construções além de acompanhamento. Na costa marinha a empresa começou mapeando os cetáceos (baleias e golfinhos) e quelônios (tartarugas) com o objetivo de controlar e minimizar o impacto que ela gera.

BIOCOMBUSTIVEIS E FONTES DE ENERGIA LIMPAS

O petróleo, além de todos os problemas citados acima e da emissão de gases poluentes, é uma fonte não renovável e a projeção de término do petróleo é iminente. Muitas pesquisas estão sendo feitas para a substituição da energia e combustíveis provenientes do petróleo. A energia solar, geotérmica e eólica estão ganhando um novo formato. Ainda fontes de energia muito caras, com o apoio dos governos locais e incentivos ficais, além do aumento da demanda a tendência é derrubar os preços tornando-as mais acessíveis. O Brasil gera 70% de energia hidroelétrica (renovável e limpa), os outros 30% são de diversas fontes sendo o petróleo responsável por menos de 5%. Hoje a Petrobrás está diversificando suas fontes de energia, inaugurando 3 refinarias de biomassa, campos de energia eólica e investindo pesquisas no campo de energia solar.

Aqui no Brasil consumimos muito petróleo como combustível, gasolina e diesel. Nisso emitimos grandes percentuais de CO2, além de consumir muito petróleo. A Petrobrás está desenvolvendo o biodiesel, derivado de bicombustível, produzidos a partir de óleos vegetais de diferentes matrizes como amendoim, girassol, milho, cana-de-açúcar entre outros, além das pesquisas e produção do etanol (álcool) nos últimos 30 anos.

Além dos bicombustíveis há pesquisas muito prósperas com o hidrogênio, uma fonte de energia renovável, muito abundante e 100% limpa, não emitindo nenhum poluente.

O futuro das energias alternativas é promissor e será uma fatia de mercado muito disputada quando o petróleo entrar em crise e acabar. Além de contribuir muito com a qualidade do ar e diminuir o efeito estufa também serão evitados todos os grandes desastres que tem ocorrido com o petróleo nas últimas décadas, pois são energias limpas (hidrogênio, hídrica, solar, eólica) ou biodegradáveis (biocombustíveis).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BINDÉ, JÉRÔME. Fazendo as pazes com a terra, UNESCO. Editora Paulus, 2010

TRIGUEIRO, ANDRÉ. Mundo Sustentável, São Paulo, Editora Globo, 2005

SACHS, IGNACY, Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável, Rio de Janeiro, Editora Garamond, 2009

KJELL ALEKLETT, Petróleo: Um futuro incerto http://resistir.info/energia/aleklett.html acesso março 2011.

GRUBB, ADAM. Manual do Pico do Petróleo, www.energybulletin.net/start acesso março 2011

ASPO. www.aspo-portugal.net/main.shtml acesso março 2011.

ETANOL VERDE. http://www.etanolverde.com.br/ acesso março 2011.

BIODIESEL. http://www.biodieselbr.com/ acesso março 2011.


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