Redução de Desperdícios de Materiais na Construção Civil

Análise de um canteiro de obras.

ESTUDO DE CASO: Cemitério Valle dos Reis

Esse texto trata de uma análise de um canteiro de obras. Para esse trabalho foi feita uma pesquisa de campo no Cemitério Valle dos Reis em Taboão da Serra-SP. O objetivo dessa pesquisa era analisar esse canteiro em relação aos procedimentos de gestão de obra, acondicionamento de materiais e descarte de resíduos. A conclusão foi que alguns procedimentos estavam corretos, porém não contavam com um direcionamento em relação ao projeto e ao canteiro, assim como não contavam com mão de obra treinada.

OBJETO DE ESTUDO

O Cemitério Valle dos Reis fica localizado na Rodovia Regis Bittencourt, n. 5.901 em Taboão da Serra, São Paulo. Conta com uma área de 60mil m2 sendo que 30% do lote, cerca de 18mil m2 é uma APP (Área de Preservação Permanente). Esta APP se expande além do lote por outros 15mil m2, por onde corre um riacho. O cemitério particular é relativamente novo e primeiro na região. Está sendo construído em etapas e no momento da pesquisa a obra se encontrava em sua segunda etapa. É um cemitério jardim, onde não existem lápides ou mausoléos e sim uma estrutura feita em blocos cimentícios em 3 níveis, cobertos por lajes pré-moldadas e recobertas por um gramado com placas de identificação como mostram as fotos 1 e 2.

FASES DE OBRA

O cemitério esta sendo feito em diversas fases. A primeira fase consistiu em fazer um pórtico de entrada, abrir uma saída pela estrada, levantar um edifício para o velório, construir um acesso asfaltado para os jazigos e construir uma área para essas jazigos, além de uma área administrativa e casa do caseiro. Na segunda fase, na qual se encontrava o cemitério durante a pesquisa, o objetivo era ampliar a área de jazigos como mostra a foto 3. Para tudo isso foi montado um canteiro de obras para o início da primeira fase, que foi reconstruído mais duas vezes e está em sua terceira localização, como mostra as fotos 4 e 5.

PROJETO

Esta obra não conta com nenhum projeto de edificação ou de canteiro de obras, apesar da Resolução Conama Nº 307, de 5 de Julho de 2002, pois também não conta com um engenheiro ou arquiteto responsável. Quem comanda a obra é um mestre de obras local, com muitos anos de experiência.

EQUIPE

A equipe não conta com profissionais especializados. A equipe conta com os funcionários do local, como o caseiro e o coveiro entre outros. O mestre de obras trabalha na área há muitos anos, mas além da experiência não dispõe de nenhuma formação ou treinamento formal. Eles tentam acondicionar no canteiro os materiais da maneira que julgam mais apropriado, cercam as áreas, mas mesmo assim ainda existem muitos poréns. A equipe não usava equipamentos de proteção apesar de afirmarem que o uso de capacetes era constante.

ETAPAS DE OBRA

Primeiro é feito uma terraplanagem, de onde saem pedras de tamanho médio que são armazenadas num área do lote como mostra as fotos 6 e 7. Depois começa a ser erguida a estrutura de blocos de cimento em três níveis, coberta pelas lajes pré-moldadas como mostra as fotos 8 e 9. Por cima de tudo acresenta-se uns 30cm de terra com grama para a finali

O CANTEIRO

Além do acesso para a área, o canteiro contém um local para o armazenamento dos materiais e ferramentas; baias para areia e pedriscos; um local separado e coberto para a preparação das lajes pré-moldadas, que são feitas in loco; uma área pavimentada para a secagem dessas lajes e outro para a deforma; um local específico para os vestiários, banheiros e refeitório com churrasqueira para os funcionários. Vide fotos 10, 11, 12 e 13.

Alguns materias estavam bem acondicionados, como os sacos de cimento sobre pallets, algumas madeiras em locais cobertos e ferramentas guardadas de forma organizada, porém outros materiais como os blocos de cimento eram empilhados manualmente sobre terra, num local próximo a execução, alguns já estavam quebrados e outros caiam da pilha, metais e algumas madeiras sobre o solo sujeitos às intempéries, além das baias de areia e pedriscos não serem totalmente eficientes, já que além dos materiais vazarem também não eram cobertas, como mostram as fotos 14 a 18.

O solo retirado da terraplanagem, assim como as pedras eram largados num canto qualquer, sofrendo com as chuvas e ventos, sendo levados para as áreas verdes ao redor, como o solo exposto e sofrendo erosão, que não eram cobertos de forma adequada como mostra a figura 19. Apesar de afirmarem que as áreas verdes eram devidamente isoladas o único local com tapumes visto no local era a área entre a parte já aberta ao público da área dos jazigos e a área onde está sendo implementada a segunda fase, portanto a erosão era visível. Além disso, apesar de usarem formas duráveis em metal, ao invés das de madeira, descartáveis e que geram muito mais resíduos, usavam oléo para a desforma o qual recaía sobre o solo, contaminando-o. Não havia cuidado algum para isolar a área como vemos nas fotos 20 e 21.

RESÍDUOS

Em relação a terra retirada era reutilizada em outras áreas no lote, mas misturada com alguns resíduos que eram escondidos nessa terra. Não eram descartados de forma adequada. Além disso, as madeiras e restos de cimento eram descartados num terreno próximo.

PROPOSTA E CONCLUSÃO

O empreendimento é carente de projetos e métodos que minimizem a produção de resíduos e que reduzam o impacto. Seria necessário um projeto com um nível de detalhamento adequado para a estrutura e detalhamentos, evitando a tomada de decisões durante a obra, retrabalhos, assim como evitando possíveis acidentes de trabalho. Treinamento da mão de obra não apenas em relação as técnicas construtivas, mas em relação a conscientização na segurança e nas normas de preservação ambientais. Isso também aumenta muito a produtividade.

Em relação ao canteiro, instalações provisórias precisam ter um mínimo de salubridade e organização, facilitando a circulação, melhorando o rendimento e aproveitando melhor os espaços. Uma área para o recebimento de materiais deve ser próximo a estocagem e também ao local das obras. Isso diminui o transporte horizontal evitando perdas e aumentando a segurança da equipe.

Para evitar que os resíduos saiam do canteiro o ideal é manter o local limpo, varrendo as áreas de manobras e entradas, assim como as rodas dos veículos. Cuidar para evitar a erosão do solo, recobrindo algumas áreas e fazendo locais para coletar e armazenar as águas pluviais, sem permitir que esses resíduos parem nas redes públicas.

A prioridade é sempre a não-geração de resíduos e isso se dá com um projeto bem elaborado, um bom projeto de canteiro de obras, minimizando perdas e otimizando o trabalho, além de um bom treinamento de equipe. Reduzir ao máximo os resíduos gerados com um bom gerenciamento e por último reutilizar na obra o que for possível e separar o que não puder mais ser usado para a reciclagem ou descarte adequado.

Agradecimentos aos colegas de trabalho: Arquiteto Carlos Henrique Gatt e

Arquiteta Rachel Singi Siqueira.


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